Crise no Rio | Entenda o drama dos salários atrasados

EXCLUSIVO | Em poucas linhas, iremos abordar o drama dos salários atrasados no Estado do Rio de Janeiro e explicaremos o motivo principal por que aposentados, pensionistas, inativos e ativos do estado, estão passando a humilhação de recorrerem ao recebimento de cestas básicas de amigos, parentes, ONGs, voluntários e até mesmo de igrejas católicas e evangélicas e muitos estão sendo despejados por atrasos no aluguel de suas casas ou perdendo bens como carros, motos e imóveis financiados.

O Rio de Janeiro está falido e quebrado, com os cofres públicos zerados, e uma grave crise financeira, na saúde (faltam remédios, insumos básicos e profissionais de saúde) e faltam de recursos básicos na secretaria de segurança (falta até papel higiênico nas delegacias e batalhões de polícia). Atrasos nos salários é ATÉ chamado de ‘dano colateral‘. Roubaram tanto que não há mais dinheiro para nada.

Aposentada MLP, de 57 anos, gasta quase todo o salário com Aluguel (ameaçada de despejo), contas e remédios, e mesmo assim, está a quatro meses sem receber seus vencimentos

Existem aposentados e inativos que estão passando fome ou com sérias dificuldades para aquisição de remédios controlados, e de uso contínuo, que não são distribuídos pelo SUS e por serem caros, estão deixando de serem adquiridos por policiais, professores e servidores estaduais. Existe um caos social instalado nas finanças de quem recebe pelo Rio de Janeiro.

O inativo LGV, de 46 anos, policial civil da reserva, precisa mensalmente do medicamento ALTEPLASE que custa R$ 1.400,00 e precisa de doações de amigos e parentes, para poder fazer a aplicação desta droga que visa minimizar os efeitos e as sequelas de um AVC isquêmico, sofrido em 2017. Ele ainda paga aluguel, pensão e está com 4 meses de vencimentos atrasados.

A professora aposentada LCM, de 76 anos, 35 anos de magistério fluminense, está ameaçada de despejo por falta de pagamento de 3 meses de seu aluguel e em total desespero ela pediu ajuda a 2ª Igreja Batista de Cabo Frio, interior do Rio de Janeiro, para não ser obrigada a morar num asilo público municipal. Irmãos da igreja, em solidariedade, fizeram um levantamento de ofertas e pagaram os atrasados dessa professora.  Está com 4 meses de vencimentos atrasados.

A enfermeira aposentada MLP, de 57 anos, gasta quase todo o salário com Aluguel (está ameaçada de despejo), contas e remédios, e mesmo assim, está a quatro meses sem receber seus vencimentos.

DRAMA DESDE 2016

O drama vem se arrastando desde o (des)governo do bandido que está preso e sentenciado a mais de 100 anos de prisão, que (des)governou o Rio de 2007 a 2014, quando foi obrigado a renunciar por causa de investigações e pressões de parlamentares cariocas: Sergio Cabral Filho, o maior bandido que passou pelo Rio.

Ele roubou tanto e saqueou o erário público carioca numa tal voracidade, que mesmo fora do governo exigiu que as empresas que ele beneficiou com contratos fraudulentos, ele exigiu que continuasse a receber as propinas mensais pagas pelos não menos corruptos empresários cariocas que estavam envolvidos nessa máfia criminosa.

Cabral roubou de investimentos que eram para a saúde, segurança pública, educação e esportes.

O ESQUEMA ERA ‘SIMPLES’

Sergio Cabral falsificava ou forjava contratos irregulares, aprovava por meio de decretos diretos, suplementares ou até públicos-privados e para não ser investigado pelo TCE-RJ (Tribunal de Contas do Estado) e nem pela Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro, ele pagava propinas de 100 mil Reais à Conselheiros do TCU e Deputados Estaduais. O esquema era grandioso.

Não é sem motivo que dos 12 conselheiros do TCE, 8 estão presos desde Março de 2017 e nessa manhã de quinta-feira (08/11/2018) 10 Deputados Estaduais foram presos por estarem envolvidos diretamente nessa máfia que roubou os cofres cariocas e deixou o Rio em estado de falência.

O esquema era tão bilionário que a dívida do Estado com a União supera os 40 Bilhões de Reais, somente Sérgio Cabral é acusado de ter recebido mais de 1 Bilhão de propinas, fora as dívidas com fornecedores diretos do Estado, que ainda é incalculável. Esse montante é inimaginável até para economistas que estão acostumados com números superlativos. O contribuinte simples, como você e eu, não consegue ter a noção exata e a dimensão desse montante.

A quantia que se tem notícia até agora (pois existe a suspeita de que o rombo foi muito maior) daria para dar 8 voltas ao mundo, se as cédulas fossem divididas em R$ 50,00 e colocadas uma atrás da outra.

É por essa razão que o Rio de Janeiro decretou falência em 17 de Junho de 2016, na gestão do Governador em Exercício Francisco Dornelles, Economista de 83 anos e atual vice-governador.

A FARRA DOS GUARDANAPOS

Para comemorar o ‘sucesso’ de seu esquema fraudulento, que já havia desviado BILHÕES do erário público carioca, Sergio Cabral, assessores diretos, familiares, alguns parlamentares e até o Prefeito Eduardo Paes (prefeito naquela ocasião), foram para Paris, França, em 10 de Setembro de 2009, com a DESCULPA de ser homenageado como Governador e Político Exemplar, recebendo a Medalha ‘Légion D’Honneur‘ concedida pelo governo Francês.  No dia 14, ele recebeu a condecoração das mãos do então presidente do Senado francês Gerard Larcher. Logo em seguida ocorreu o jantar.

À bem da verdade o Prefeito Eduardo Paes não estava presente a essa comitiva quando ela chegou a Paris, porém, após receber mais de 20 ligações de parlamentares que estavam hospedados no Hotel Le Bristol, o mais luxuoso 5 estrelas da capital parisiense, ele foi convencido a comprar uma passagem às pressas para ter tempo de juntar-se aos bandidos que já estavam na França. A comitiva havia embarcado no dia 10 de Setembro rumo a capital da França.

Altamente embriagados, os integrantes dessa comitiva do mal, foram fotografados bêbados e dançando com guardanapos na cabeça, e esse evento surreal entrou para os anais da Política fluminense como a Festa da Corrupção: A FARRA DOS GUARDANAPOS.

Em primeiro plano está Sergio Côrtes, ex-secretário de Saúde de Cabral, condenado a 12 anos de prisão por ter recebido R$ 300 milhões de propinas

Sérgio Cabral no centro da ‘festa’

Em primeiro plano (com o braço direito erguido) o Prefeito Eduardo Paes, na mesa com Sergio Cabral. Eduardo Paes é investigado pela Lava-Jato

Léo Vilhena | REDE GNI
Jornalista

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