Uma roda de terapia involuntária

Crises existenciais, emocionais, familiares e de identidade são suscetíveis à todos os que se chamam de humanos. Faz parte da cadeia existencial e é um reflexo quase que cotidiano daquilo que chamamos de vida. São inevitáveis as brigas, guerras e desavenças familiares e elas acontecem e não temos como evitá-las, mas podemos minimizar seus efeitos.

Se esses momentos de ‘dores e decepções’ são de certa forma inevitáveis, também é inevitável a certeza de que passar por esses momentos acompanhados de quem se ama e de amigos, pode resultar em cura da alma e alívio de toda a tensão e de todo esse sentimento de tristeza, que se não dominado, controlado e superado, pode resultar em uma grave e profunda depressão.

Recolher-se e fechar-se em seu próprio mundo, para ‘enfrentar os momentos de ‘dores e decepções’, é um convite à depressão. E depressão pode matar a vida, a esperança e os sonhos. Recolher-se e fechar-se em seu próprio mundo, pode externar uma arrogância não percebida; ‘eu me basto e não preciso de ninguém’. Ou então pode revelar uma ‘religiosidade’ imbecil; ‘eu tenho Deus e isso me basta’, quando Ele mesmo disse em alto e bom som; ‘Oh quão bom é viverem UNIDOS os irmãos’ e você só pode viver unido com alguém que você esteja próximo. Não há unidade longe um do outro. Como podemos sermos unidos, se você vive no Pantanal e seu irmão na Patagônia? Em outra passagem bíblica percebemos a valorização para estarmos na ‘assembléia dos santos’, ou seja, devemos estar entre amigos. É ‘mágico’ estarmos entre amigos. Nem que seja por uma ou duas horas, na simplicidade ou no luxo.

Momentos singelos podem se tornar potências terapêuticas.

As ‘banalidades’ de um sorriso, de uma crise de riso, de jogar conversa fora e da ‘encarnação’ gerada por um ‘furo’ (vacilada) de um amigo (a) pode ser mais terapêutico do que uma sessão de psicanálise. Encontros de amigos é isso: uma sessão de terapia. A conversa jogada fora, os papos despretensiosos e as ‘afirmações’ pouco contundentes, podem gerar alívio da tensão, mesmo que num primeiro momento você não perceba os benefícios dessa terapia em grupo… Os risos, as conversas sobre amizades, vidas e tendências alimentares – acompanhados de um delicioso lanche – podem curar feridas na alma…

Estar ao lado de amigos que se respeitam, ver os nossos filhos interagindo e de igual modo brincando e se respeitando, e podermos conversar sobre todo tipo de assunto, sem maldades ou baixarias, são atitudes de gente madura e bem resolvida.

Espiritualizamos demais as coisas e abandonamos os momentos de descontração entre amigos, acreditando que uma roda de amigos que jogam conversa fora e que falam trivialidades sem maldade, é uma roda de escarnecedores, e na verdade, é apenas uma roda de terapia involuntária. Quicá, todos compreendessem os benefícios de se gastar horas com os amigos, rindo até mesmo de uma piada sem graça. Roda de escarnecedores é outra coisa, tema para uma outra oportunidade…

Se todos tivessem a exata dimensão desses benefícios para a alma, fariam desses momentos ‘mágicos’ uma rotina em suas vidas, e as pessoas seriam mais felizes e ‘desencanadas’. Uma das melhores coisas da vida é desfrutar de uma ‘roda de terapia involuntária’ para descarregar e aliviar as tensões. Momentos assim são mais poderosos e trazem mais benefícios para a alma do que uma ‘sessão de descarrego’.

Léo Vilhena

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