Uma combinação de fatores com final feliz

Para quem nunca se imaginou no lugar de uma pessoa acidentada, familiares distantes que aguardam notícias de um terremoto ou qualquer outro fenômeno natural sem final feliz, passo uma experiência vivida ontem, dia 12.
Tenho o hábito de acompanhar as notícias por emissoras de rádio, uma vez que a informação chega no exato instante do acontecimento. E por uma infelicidade dessas que só depois a gente entende, um ciclista sofreu um acidente na ciclovia da avenida Paulista, nas proximidades da avenida Brig. Luis Antonio.
Minha filha faz uso de bicicleta para chegar ao trabalho. E no horário do acidente ela estaria no local. Não preciso dizer que fiquei apreensiva das 12h às 14h. Mandei uma mensagem de whats que me dedurou o telefone desligado. Tentei contato por telefone, atendeu um robô no local em que ela trabalha.
Meu desespero foi crescendo até ligar para Polícia, Bombeiros, Samu… sem sucesso imediato. Todos muito atenciosos, mas sem informações para aliviar meu coração. Perto das 14h, tento novamente no trabalho da filha. Alguém passa o fone para ela. Só consegui falar aos prantos, feliz por ouvir a voz da moça que me chama por “mãe”.
Agora há pouco recebi o telefonema de um funcionário do Samu, dizendo que não encontrou o nome na lista de atendidos ontem. Agradeci e expliquei que uma combinação de fatores me levou a concluir, erroneamente, que minha filha poderia estar entre os socorridos na rua.
A melhor definição que tenho para esse evento é empatia. Só quando você se coloca ou é posto no lugar de outra pessoa numa situação difícil é que você pode avaliar quanto um simples telefonema ou uma mensagem curta alivia corações apertados com atentados terroristas, aviões que não aterrissam no aeroporto, prédios que descem com terremotos… pense nisso.

Ana Lúcia Sesso, Jornalista, São Paulo

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