Editorial: Traficante quer fazer acordo para conter violência no Rio

Acordamos com uma notícia que parece ser fantasiosa ou fruto de alguma pegadinha. O problema que ela não se encaixa em nenhuma dessas duas categorias, por ser uma notícia real.

O traficante carioca Nem, que está preso numa penitenciária federal em Rondônia, propôs através de seu advogado acabar com a violência e o roubo de cargas no Rio de Janeiro, se ele for transferido de volta para um presídio fluminense.

Quando o governo através de suas autoridades, precisa fazer um acordo com traficante para combater a violência, é porque estamos à beira do fim do Estado de Direito.

É inadmissível, surreal, pavoroso e acima de tudo, ilegal e imoral, o Estado ter que aceitar a proposta de um traficante para combater uma violência que o próprio Estado não tem competência para combater, e que deveria repelir pois essa é uma obrigação constitucional.

Se para ter paz e fim da escalada da violência, é necessário fazer acordos com bandidos, é melhor entregar o governo para eles (traficantes).

Traficante não é ‘gente boa’, não é um cidadão comum, é um criminoso, que fica milionário às custas das desgraças de centenas e milhares de famílias que são destruídas pelas vendas de drogas e entorpecentes, que diariamente dizimam vidas. Os pontos de vendas de drogas são disputados e ‘defendidos’ às custas de vidas, de sangue e às vezes de sangue inocente por causa das balas perdidas em confrontos.

Imaginar, que para conter a violência, o governo precisa recorrer aos traficantes é porque a falência das instituições é maior do que se imagina, e a sociedade se torna definitivamente refém da bandidagem, agora com o ‘amém’ do governo.

O lema ‘servir e defender’ da polícia vai ter que ser trocado por ‘traficar e obedecer’, pois esse acordo não vai sair de graça para a população carioca. Será oficializado o comércio varejista e atacadista das drogas, ou você acha que se entregarmos a cidade aos traficantes (esse acordo equivale a entregar as chaves da cidade do Rio) à população não vai assistir de camarote o aumento de vendas de drogas ilícitas?

Mas vale tudo para ‘conter’ a violência. Inclusive vender a alma para o diabo.

Léo Vilhena
Editor da Rede GNI
Jornalista e Comentarista Político

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