Sobre a Copa do Mundo

Não estranhe o fato de eu me manifestar quando já estamos entrando em outra fase dos jogos. Quando uma parte das seleções já está de malas feitas, prontas para voltar para casa. Nada disso me importa neste momento. Aliás, nem os jogos passados nem os que estão por vir. Nem arriscarei um palpite de vitorioso levantando a taça.

O que está me chamando a atenção nesse campeonato que acontece na Rússia, que tem seu território no continente europeu e no asiático, não é a extensão desse país. Tampouco a densidade demográfica nem os extremos de temperatura. Indo dos gélidos ares ao norte ao clima seco e quente nesse verão do hemisfério norte, uma coisa peculiar chama minha atenção.

O país que passou pela revolução que pôs abaixo czares e seu governo hereditário; o povo que fez emergir a força do proletariado, levando este a posições de destaque e de poder, de governo, de liderança; a nação que tem pontos turísticos naturais maravilhosos, dignos de uma viagem, uma vez na vida, ao menos, tanto quanto exibe construções tradicionais que remontam a um passado bem longínquo.

Esse é o aspecto que tem chamado minha atenção durante as transmissões futebolísticas, antes e depois dos jogos; enquanto narradores esportivos driblam o próprio fôlego para anunciar gooooooooooooooooooooooooooooooools que duram mais tempo na emissora de rádio que a imagem na tevê; meus olhos se deleitam com prédios, castelos, catedrais, igrejas, casas, edifícios que perduraram a revoluções, guerras, bombardeios, invasões, invasores, combatentes, combatidos.

Um povo que tem história e preserva sua cultura é um povo que tem legado e herança. Um povo que não substitui nomes de logradouros por revanche política ou por ignorância é um povo que se mantém como nação, não importa quem seja o governante ou o sistema econômico, político, seja lá o que mantém a ordem e governabilidade. Um povo que não esconde seu passado tem futuro garantido.

Ah, por falar nisso, poderemos reedificar, reerguer, reconstruir as mansões da avenida Paulista? Quem dera tivéssemos no mínimo o nome original de algumas vias. Que tal rever o nome do elevado conhecido como Minhocão?

Ana Lúcia Sesso
Jornalista

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