Obra do Rodoanel ou no Rodoanel?

Moradora da zona norte da capital de São Paulo, alguns trechos próximos à Serra da Cantareira, parque da Sabesp e imediações foram e têm sido invadidos por caminhões basculantes num incrível vaivém sem e com terra. O peso dos caminhões em muito sobrepuja o nível de sustentação no asfalto; o surgimento de buracos irreparáveis foi e tem sido uma constante nas ruas e avenidas que dão acesso às obras.
Dependendo de onde se vem ou se vai em direção ao Rodoanel, pode-se ver a serra cortada por um caminho de terra que em breve será asfaltado na íntegra. Aliás, a proximidade de eleições para governador e presidente estimula, incentiva, propicia obras inacabáveis e inacabadas a serem inauguradas. Algumas delas em condições bem questionáveis.
Constantemente se tem notícia de uma obra que atravessou a fazenda de um político de renome, supervalorizando o terreno; também pululam na mídia notícias sobre acidentes ou desmoronamentos, ou até mesmo a possibilidade de desbarrancamento, o que desvaloriza o terreno, levando boa parte dos moradores a se desfazer do bem adquirido com tanta dificuldade a preços módicos, irrisórios, insignificantes.
O acidente da vez, a meu ver, é o descaso, descuido, desprezo, abandono a que foi submetida a população, principalmente nas imediações da Serra da Cantareira. Desde que um mero mosquito, um inseto voador, foi promovido a vilão, não temos visto nem tido conhecimento de qualquer medida governamental (entenda-se Governo do Estado e do município de São Paulo) para erradicar o Aedes aegypti, um único mosquito responsável pela transmissão de doenças como dengue, chikungunya e agora a fatal febre amarela. Fatal principalmente para a população de bugios, os pretos, habitantes naturais da região.
Também hospedeiros da doença, os bugios estão sendo dizimados por um insignificante porém letal mosquito. A notícia correrá a zona norte, promovendo a desocupação de imóveis por habitantes que escolheram a proximidade com a natureza para seu repouso e descanso diário. O que virá na sequência? Imóveis desvalorizados são a menina dos olhos para especuladores.
O que virá? O tempo dirá. Time will tell. 

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