‘Não tem cura para ciência’, diz psicóloga sobre estupradores

O estupro é um dos crimes que mais chocam a sociedade e que geram discussão quanto ao retorno do indivíduo à convivência social depois de cumprirem suas penas determinadas pela Justiça, pelo medo que eles volter a cometer o crime, que também é objeto de estudo da ciência. Para a psicóloga clínica Vera Moreira, que já atuou em uma penitenciária para estrangeiros com detentos acusados de crimes sexuais entre 2009 e 2010 os estupradores estão classificados dentro de um quadro de psicopatia e, para a ciência, a psicopatia não tem cura.

“Tem que ser feito acompanhamento psicológico, psiquiátrico, mas não é um indivíduo que a gente entenda que vai se recuperar e vai viver em sociedade sem praticar novamente o ato. Consegue viver na sociedade, mas a chance de voltar a praticar o crime é muito grande. Mas, para a ciência, não tem cura”, explica Moreira.

Já para a psicóloga Simone Borges Giraud, que também atendeu paciente que cometeu estupro, a questão é polêmica e esbarra na questão legal, onde é preciso ser feito um julgamento. Para ela, existem dois tipos de estupradores.

“Existe o abusador e o molestador. O abusador  geralmente é uma pessoa mais solitária, com atuação através de carícias mais discretas e o molestador é mais invasivo e costuma consumar o ato sexual. Tem que ser analisado com muito cuidado. O abusador vive dentro de uma fantasia. Já o molestador pode sofrer de transtorno de transtorno de humor, psicótico, até retardo mental e também um psicopata”, explica Giraud.

Em Bauru (SP), um homem preso suspeito de estupro já havia sido condenado e cumpriu pena pelo mesmo crime. Ele estava solto a pouco mais de um mês. Marco Antônio Bernardes Azar, de 58 anos, foi preso suspeito de estuprar uma menina de 7 anos. Ele passou por tratamento em um hospital psiquiátrico da polícia em Franco da Rocha por ter violentado nos anos 1980 outras crianças entre 10 e 12 anos.

Marco é acusado de pelo menos 23 crimes sexuais em São Paulo e deveria cumprir pena de 154 anos, mas foi havia recebido o benefício de continuar o tratamento em liberdade em fevereiro deste ano. Ele está preso na cadeia de Barra Bonita (SP), para onde são levados os suspeitos de crimes sexuais na região de Bauru e aguarda a decisão da Justiça.

O juiz deve analisar se ele tem problemas psíquicos e pode converter a pena em medida de segurança. “Assim ele pode fazer tratamento internado no hospital”,  explica a delegada da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) Priscila Bianchini.

Psicopatia
O estuprador é considerado um psicopata, que é aquela pessoa que não sente culpa pelos seus atos, que não tem remorso, segundo Moreira. “A psicopatia é quase uma psicotização, beira a loucura. Mas o criminoso sexual tem noção do que esta fazendo, tem noção de certo e errado, tem consciência da realidade, só que não consegue se controlar porque de alguma forma também foi abusado. Provavelmente é uma pessoa que tem um histórico de algum abuso, pode ser sexual ou moral na infância ou adolescência”, esclarece Vera, que explica que diversos fatores colaboram para o surgimento de psicopatias, como o fator genético e o ambiente.

Para Simone, se a pessoa teve um transtorno e tem consciência que fez mal, existe resultados após tratamento que a pessoa conseguiu se transformar, mas ela precisa ter consciência. Já o psicopata não tem. “O psicopata não tem essa percepção que está causando mal ao outro, faz com frieza”, explica.

Renata Marconi
Jornalista

 

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