Marinha argentina diz que não houve emergência em submarino desparecido

BUENOS AIRES – A Marinha argentina afirmou nesta quinta-feira que o capitão do submarino ARA San Juan, desaparecido na costa do país no último dia 15, com 44 tripulantes a bordo, não considerou a entrada de água na embarcação — que teria causado um curto-circuito em algumas baterias da embarcação — uma emergência. O incidente aconteceu horas antes de o San Juan perder contato com a base naval de Mar del Plata.

— Em nenhum momento, o comandante do submarino desaparecido ou seu superior em terra consideraram esse fato uma emergência ou mesmo uma falha de grande magnitude — afirmou, em coletiva, o capitão Enrique Balbi, porta-voz da Marinha argentina. — Se tivesse sido uma emergência, o capitão sairia à superfície e informaria seu comandante para que destacasse uma unidade capaz de acompanhar o submarino de volta à costa. Não foi o caso, e a embarcação seguiu rumo a Mar del Plata, seu destino final.

O submarino realizava uma operação de renovação de oxigênio e carregamento de baterias quando a água entrou pelo sistema de ventilação, atingindo um sistema de baterias e criando um curto-circuito que, segundo tripulantes da embarcação, produziu uma nuvem de fumaça, mas não chamas. O incidente foi rapidamente resolvido e reportado, e o San Juan seguiu submerso rumo à base, cerca de 400 quilômetros ao sul da capital, Buenos Aires. Horas mais tarde, uma explosão foi detectada pela Organização pela Proibição Total de Testes Nucleares (CTBTO, na sigla em inglês). O capitão do submarino, Pedro Fernández, notificou seus superiores de que a falha fora corrigida e que as baterias afetadas haviam sido isoladas, e a embarcação continuou navegando com circuito de bateria de popa.

— Essa não é a primeira vez que algo assim acontece, e eu mesmo já tive que navegar com um circuito dividido — contou Balbi. — O que se deve fazer é seguir em baixa velocidade, mas é possível navegar até Mar del Plata com um circuito dividido.

A última mensagem do submarino desaparecido, na qual Fernández comunica o curto-circuito, foi revelada ontem pelo canal A24, de Buenos Aires.

“Entrada de água do mar pelo sistema de ventilação ao tanque de baterias nº 3 ocasionou curto-circuito e princípio de incêndio na área das barras de baterias. Baterias de proa fora de serviço. No momento em imersão, propulsando com circuito dividido. Sem novidades de pessoal. Manterei informado”, diz a mensagem reproduzida na TV.

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