Laudo diz que promotor argentino foi assassinado

Os assassinos do promotor argentino Alberto Nisman, que denunciou a ex-presidente Cristina Kirchner de encobrir terroristas, modificaram a cena do crime para forjar um suicídio, segundo sugere um relatório da Polícia de Buenos Aires obtido pela Agência Efe nesta segunda-feira (6).

O corpo de Nisman estava em um dos banheiros de seu apartamento na capital argentina com uma bala na testa, que foi disparada por uma pistola de calibre 22 por um dos assassinos. De acordo com o relatório, outra pessoa teria segurado o promotor pelas axilas, como em um abraço, após ele ter sido colocado previamente em frente à banheira onde foi encontrado.

Além disso, o relatório afirma que o promotor teve o septo nasal fraturado e hematomas no estômago, no quadril e em outras partes do corpo, resultado de uma luta corporal com os assassinos. Ainda indica a presença de cetamina, uma droga que funciona como anestésico.

Esse relatório foi solicitado pelo promotor do caso, Eduardo Taiano, a especialistas da Gendarmaria, um órgão de segurança que não tinha se envolvido nas perícias realizadas anteriormente e que foram muito questionadas por indicar que Nisman se suicidou.

Dificuldades

Segundo fontes jurídicas, a maior dificuldade para esclarecer o que ocorreu no apartamento de Nisman é a poluição da cena do crime, já que mais de 60 pessoas estiveram no banheiro onde o promotor foi encontrado morto poucas horas depois da morte.

Além disso, boa parte das câmeras de segurança do prédio, no luxuoso bairro de Puerto Madero, não funcionavam. O celular e o computador de Nisman também tinham sido modificados para esconder provas, um fato que está sendo averiguado por peritos.

Em janeiro de 2015, pouco antes de morrer, Nisman tinha acusado a então presidente da Argentina, Cristina Kirchner, e o chanceler do país, Héctor Timerman, de encobrir terroristas iranianos responsáveis pelo atentado contra a Associação Mutual Israelita Argentina (Amia).

O promotor afirmava que um acordo firmado entre Argentina e Irã em 2013, que Cristina dizia que era para avançar no esclarecimento do ataque, buscava, na verdade, proteger os acusados em troca de melhorar a relação comercial entre os dois países. A ex-presidente nega as acusações.

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