‘Jornalismo de Verdade’ começa com humildade e verdade

Semelhante a muitas profissões, o jornalismo deve ser marcado pela busca da verdade, sem “barrigas” ou notícias inventadas, mentiras nem arrogância. A verdade tem que ser a base de tudo. A informação tem de ser tratada com seriedade.

Minhas regras pessoais são estas: Errou? É hora de corrigir o erro. Não sabe? Pergunte. Não tem certeza? Não publique. Se receber proposta para inventar notícia ou enaltecer o que é podre: denuncie. É uma notícia falsa? Esqueça. É notícia verdadeira? Publique. Se tem medo de publicar a verdade, vá vender pipoca. Respeitar? Sempre.

Na vida, porém, tudo tem seu preço; no jornalismo de seriedade não é diferente.

Outro dia, assinei uma matéria falando dos crimes políticos atribuídos ao PT e um dos diretores conselheiros da REDE GNI me ligou desesperado lá de Londrina dando ordens para retirar aquela reportagem bombástica do ar, pois poderia causar “danos colaterais”. E eu? Não fiquei nem um pouco assustado.

Em 20 anos de jornalismo, já perdi as contas de quantas vezes fui ameaçado de morte por causa de reportagens, matérias e denúncias que fiz. Um dia me perguntaram se eu “não tinha medo de mexer com os poderosos”, após assinar uma série de reportagens contra o PT e o Lula. Respondi com muita sinceridade: “Eu tenho medo de cagar, e mesmo assim cago todos os dias”. Finalizei o diálogo com aquele emissário do cão, que hoje está na terra dos pés juntos.

Se tivesse medo de publicar matérias e de falar a verdade (sempre busco a verdade), eu não sairia de casa, pois até no trânsito existem os valentões. É claro que eu confio em Deus, mas também confio na minha mira e numa certa PT380 (não confunda com o partido político, que eu detesto).

Em quase 10 anos de polícia (fui policial civil no Rio de Janeiro na década de 1990) eu troquei muitos tiros com bandidos em favelas, morros e no asfalto carioca; se eu estou escrevendo esse artigo, significa que não fui eu quem levou a pior nos confrontos (que não foram poucos).

Hoje cubro ações de policiais. Meu acordo com os policiais de hoje é bem simples: se acertaram, eu falo bem deles; se erraram, eu desço a puia, pois não tenho medo de cara feia. Dias atrás presenciei um Guarda Municipal liberando uma loira linda e maravilhosa (gostosona), apesar de ela não ter CNH, e vi que eles trocaram telefones (para mim ela era uma garota de programa). Comuniquei o fato ao superior do militar. Não tenho medo de cara feia e não alivio bandido.

Acho impressionante, porém, como tem gente que se vende por pouco (ou até por muito), mas a grande sacada para não ficar nas mãos desses filhos das putas é não se vender em hipótese nenhuma. Jornalista que se vende pode ser chamado de qualquer coisa, menos de jornalista profissional. Quem se vende é bandido. Ou produto.
Para ficar claro o que eu estou dizendo. Um pastor, vou repetir para você entender, um pastor de uma renomada e grande igreja evangélica me ofereceu no dia 12/03/2014 dentro do seu gabinete (eu fui chamado para uma “pauta”) R$ 1 milhão para publicar uma matéria falando mal e acusando de compra de votos o ex-prefeito de Campo Grande, Mato Grosso do Sul, Alcides Peralta Bernal, que naquele dia estava sendo processado e julgado pela Câmara dos Vereadores de Campo Grande, através de uma Comissão Processante, que culminou com o seu afastamento do mandato de prefeito. Seu impeachment foi definido na madrugada do dia 13/03/2014.
Sessão na Câmara dos Vereadores que julgou Bernal. Eu estava lá (em destaque).

Dia da sessão na Câmara dos Vereadores que julgou Bernal

O que eu fiz? Mandei esse pastor enfiar aquele dinheiro todo (que me ajudaria muito) na sua auréola anal, sem o uso de vaselina e com cobertura de areia, pra entrar gostoso… Até hoje sou pobre e quero continuar assim (não me vendo).

Atualmente, quando o encontro pela cidade morena, nas reportagens que ainda faço nas ruas (externas), ele finge que não me conhece e eu não tenho o menor prazer em cumprimentá-lo. É até melhor que finja que não me conhece mesmo, pois eu sofri um AVC e ainda me recupero dessas malditas sequelas, mas a disposição no meu dedo médio direito continua a mesma de antes. Ele tem fama de encarar e ameaçar jornalistas e eu tenho a fama de retribuir a gentileza à altura. Como diz um tenente muito meu amigo: “O tipo de tratamento depende do cliente”. Eu não alivio bandido nem tenho bandido de estimação.

Quem tenta comprar jornalista é bandido, e se torna bandido, jornalista que se vende. Só tem quem compra, pois tem alguns que se vendem. Mas eu não faço parte desses times: nem dos que se vendem, nem dos que compram.
Se o Alcides Bernal era bom ou ruim como prefeito, não me cabe julgamento de valor, mas ele sabe até hoje que eu, como jornalista, sempre noticiei a verdade dos atos dele como prefeito. Nunca inventei nem criei barriga. Por esse motivo, já tive a honra de acompanhá-lo na sala secreta que existe no gabinete da prefeitura de Campo Grande, pois ele sabe e tem a certeza de que, o que eu ouviria lá, não seria notícia em hipótese alguma. Tenho como provar que estive ali:

Volta do Alcides Bernal à Prefeitura – “Sala Secreta” na Prefeitura de Campo Grande…Único fotógrafo autorizado pelo Bernal a acessar a Sala

Volta relâmpago de Alcides Bernal à Prefeitura de Campo Grande – “Sala Secreta” na Prefeitura de Campo Grande… Eu fui o único fotógrafo autorizado pelo Bernal a acessar a Sala Secreta.

Quando esteve na sede da Polícia Federal, já como ex-prefeito, para denunciar o aliciamento de vereadores de Campo Grande e outros crimes praticados por uma quadrilha influente de Mato Grosso do Sul, ele pessoalmente ligou em meu celular e eu fui o único jornalista que esteve naquela cobertura:

Alcides Bernal na porta da Polícia Federal

Por que admiro tanto o Bernal? Porque, apesar de toda a pressão que sofreu (e não foi pequena), ele me disse: “Léo, eu não vou renunciar”; ele me disse isso na porta da Câmara. E cumpriu a sua palavra. Enfrentou toda a pressão.

Acima de tudo, jornalista tem que ser ético, imparcial, honesto, verdadeiro e muito cordial. Ninguém se mantém nessa profissão através da arrogância e da sandice de se achar alguma coisa. Atualmente estou na cobertura das várias blitze do Batalhão de Trânsito de Campo Grande; apesar de toda a liberdade que o comando me dá para fazer essas coberturas, eu os trato da mesma forma, sem alterações de patentes: senhor, senhora, oficial, tenente…

Não uso uma abertura que tenho (e que eles me dão) para a libertinagem.  Apesar de achar que o comandante Tenente-Coronel José Amorim Longatto seja o melhor, mais educado e melhor oficial PM que já vi em toda a minha vida profissional, ele ainda é um oficial superior e merece todo o respeito pela farda que veste e posição que ocupa. Mas mesmo ele (a quem considero como um amigo), se pisar na bola, vai virar notícia, pois erros involuntários todos cometem (esses não são dignos de virar notícia); porém, se cometer algum crime, vai ser manchete de primeira capa. Entretanto, com o Longatto eu vou passar fome se esperar que ele cometa alguma matéria crime. Ele não é dessa laia.

Antes de ser prefeito de Campo Grande, em uma entrevista em seu gabinete, o então Deputado Estadual Maquinhos Trad me confidenciou que deveria ser candidato a prefeito de Campo Grande, mas pediu para eu não divulgar a notícia naquela época da entrevista, como foi feito.

O então deputado estadual Marquinhos Trad em entrevista exclusiva a REDE GNI

O então deputado estadual Marquinhos Trad em entrevista exclusiva à REDE GNI. Ele se candidatou e venceu com larga margem de diferença, como eu lhe disse que aconteceria.

Num breve período fiz a cobertura política do Congresso Nacional e sempre fui muito bem tratado pelo senador Magno Malta (meu amigo flamenguista) por um simples motivo: O que ouvia nos corredores do poder, eu não deturpava nem inventava. O que podia ser notícia, era noticiado; o que era off, ficava assim mesmo. Sempre fui muito bem recebido pelos senadores.

Minhas fontes são seguras e estarão eternamente asseguradas. Elas sabem que podem confiar em mim e eu nelas. Sou melhor do que outros jornalistas? LÓGICO QUE NÃO, mas levo a verdade e a ética com muita seriedade.
Jornalista tem que ser imparcial, ético, verdadeiro e honesto. Tenho nojo e repulsa de jornalistas da imprensa marrom. Esses, quando morrem, eu não lamento: dou festa! Antes de tudo, aprenda a honrar a sua profissão com honestidade e humildade.

Léo Vilhena
Jornalista e Editor da Rede GNI
Comentarista Político

* Texto corrigido e editado por Ana Sesso Revisões
http://www.anasessorevisao.com.br/

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