Ex-coronel suspeito de receber propina para Temer diz à PF que não poderá prestar esclarecimentos

Suspeito de receber propina em nome do presidente Michel Temer, o ex-coronel da Polícia Militar João Baptista Lima informou à Polícia Federal que, por motivos de saúde, não poderá prestar esclarecimentos no inquérito que apura se Temer recebeu propina durante a negociação do decreto do setor portuário.

Neste inquérito, Lima foi intimado no final do ano passado, mas informou à PF que não compareceria porque o estado de saúde dele estava “bastante delicado”.

O inquérito da Rodrimar está na fase final. Na semana passada, Temer entregou as respostas ao interrogatório da Polícia Federal. O relator do caso no Supremo Tribunal Federal é o ministro Luis Roberto Barroso.

Com exceção de Lima, todos os investigados no caso já falaram à PF. Os ex-assessores de Temer José Yunes e Rodrigo Rocha Loures depuseram, além do subchefe de assuntos jurídicos da Casa Civil, Gustavo do Vale Rocha, e do executivo da J&F Ricardo Saud.

Na última sexta (19), mesmo sem o depoimento de Lima, Temer pediu ao Supremo Tribunal Federal para arquivar o inquérito. Lima e Temer são amigos há anos e costumam se encontrar com frequência quando o presidente viaja a São Paulo.

Atestado médico

O blog obteve cópia do atestado médico apresentado por Lima aos investigadores.

A defesa de Lima informa no documento, de 24 de novembro de 2017, que o estado de saúde dele permanece “bastante delicado, estando, assim, por determinações médicas, impossibilitado de prestar os esclarecimentos acerca dos temas objeto de inquérito em referência. Com risco de sujeição a novo AVC em decorrência de qualquer situação de stress a que possa ser submetido”, diz o documento.

A defesa também anexou atestado médico do Hospital Albert Einstein de novembro de 2017. O documento pedia que Lima evitasse “situações de estresse emocional e esforços físicos, como exercícios e deslocamentos como viagens”.

O que diz a defesa

Indagado sobre se Lima poderia responder às questões por escrito, assim como fez o presidente Temer, o advogado do ex-coronel, Cristiano Benzota, disse considerar a hipótese se permanecer interesse da delegacia em ouvi-lo.

“Eles têm mais uns dias para encerrar o inquérito. O inquérito me parece que está já bastante amadurecido, no sentido da inexistência de qualquer irregularidade. Se existir interesse e desejo do delegado, o depoimento por escrito será considerado oportunamente. Ele não falou por motivo exclusivamente de saúde”, afirmou.

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