Estar entre amigos ou entre irmãos?

Guerras fraternais. Quem nunca enfrentou uma luta dessas em casa? Como pai, mãe, irmão, irmã… toda família que tem mais de um filho sabe o que é separar braços e pernas no meio de um conflito. Ou, como dizem os combatentes, um abraço mais apertado. Afinal, quem nunca?
Pontos de vista divergentes sempre geram conflito. Em alguns casos, em determinadas situações, o bom senso exige flexibilidade no ambiente de trabalho, ou em alguma sala de aula, ou até mesmo numa negociação.
Impressionante como engolimos em seco mais frequentemente diante de quem não vive com a gente. Todas as vezes que tivemos de abrir mão de nossa opinião ou argumento, ou deixar alguma exposição de lado, todas essas situações foram enfrentadas diante de colegas de trabalho ou de escola. Em qualquer nível, de estagiário a chefia.
Irmãos duelam porque têm intimidade. Irmãos se confrontam porque se conhecem, porque se identificam, porque se amam. Não há como desfazer laços de fraternidade unidos pelo sangue. Irmãos de opinião, de gostos, de crenças… ah, esses são escolhidos, são selecionados, são aqueles que se tornam “chapas”, amigos do peito. Também se amam, se identificam, se conhecem muito bem.
Amigos eventualmente se afastam, se separam. Não porque querem, mas porque a vida impõe. Porém, basta um reencontro, ainda que breve, rápido, fortuito, para reacender, para fazer queimar novamente a chama daquele amor de infância.
Muitas vezes preferimos estar entre amigos a dividir com irmãos de sangue nossas lutas, nossas vitórias, nossos conflitos, nossas conquistas. Quem suportaria conviver com a dificuldade de um irmão sem sofrer junto? Irmãos de sangue ou não, os momentos que trazem lágrimas aos olhos sempre são aqueles que não passamos sozinhos. Lágrimas de alegria ou de dificuldade. Abraços acolhedores. Corações aquecidos.

Ana Lúcia Sesso, Jornalista, São Paulo

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