Enquanto isso, no Rio de Janeiro

Ontem o governador detido do Rio de Janeiro, Sergio Cabral, em audiência com o Ministério Público, pediu desculpas ao povo por ele governado por ter feito Caixa Dois. Assim mesmo, com iniciais maiúsculas. Maiúscula é também a Cara de Pau do réu em questão.
A essa altura do campeonato, pedir desculpas ao povo apenas pelo Caixa Dois é de uma desfaçatez que não tem tamanho. Sergio Cabral esteve envolvido nos maiores e piores escândalos (sim, lado a lado com ele, o molusco, o Lula Lelé) até hoje apurados. Devemos nos preparar porque podem ser descobertos outros ainda piores.
Aproveitar-se de uma situação esdrúxula, réu, detido, condenado, prestando depoimento, para se valer de um pedido de desculpas… seo Cabral, me desculpe. Não cabe no meu dicionário um qualificativo que seja à altura, ou à baixeza, do seu ato.
Sabe o que mais me entristece? É o silêncio das panelas, das ruas, da mídia, das redes sociais. Acho que de tanto apanhar o povo já se acostumou. E gostou? Parece. Quem gosta de apanhar, povo meu, é massa de pão ou passa de panetone, aquele pão do Antone, que a gente come no fim do ano. Claro, quando a renda assim permite. Senão, a gente aproveita o pós-fim de ano e compra a preços mais módicos o mesmo quitute, comível sem peso na consciência.
Vamos voltar ao seo Cabral, o Cara de Pau. Não, seo Cabral, você não é “o” cara, como dizem uns por aí. Os que desfrutaram de benesses que o cercavam no governo hoje compartilham contigo o mesmo endereço, ou semelhante ou assemelhado.
Tenho fé, tenho muita fé, de que o povo vai acordar. Depois de tanto levar na cara e um pouco abaixo da linha da cintura, o povo vai ver que o que dói não é só o bolso. O que dói, povo meu, é ser um povo de bem e não agir como tal.

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