Autoridades dos EUA consideraram golpe de Estado na Venezuela

Funcionários do governo Trump se reuniram secretamente com militares venezuelanos para discutir a derrubada do presidente Nicolás Maduro no último ano, mas acabaram decidindo não agir – reportou neste sábado (8) o jornal americano “The New York Times”.

Trump é um duro crítico do governo Maduro, enquanto a Venezuela está mergulhada em uma grave crise econômica e humanitária que desatou violentos protestos e provocou uma onda migratória a países vizinhos.

Citando autoridades americanas anônimas e um ex-comandante militar venezuelano que participou dos diálogos secretos, o “New York Times” disse que os planos do golpe estagnaram.

O jornal afirma que a Casa Branca se negou a dar respostas detalhadas quando questionada sobre essas conversas, mas enfatizou a necessidade de “dialogar com todos os venezuelanos que demonstrem um desejo de democracia”.

Um dos comandantes militares venezuelanos envolvidos nas negociações secretas não era uma figura ideal para ajudar a restaurar a democracia: ele está na lista de sanções do governo americano de autoridades corruptas na Venezuela.

Ele e outros membros do aparato de segurança venezuelano foram acusados ​​por Washington de uma série de crimes graves, incluindo tortura de opositores, prisão de centenas de prisioneiros políticos, ferimento de milhares de civis, tráfico de drogas e colaboração com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, ou FARC, que é considerada uma organização terrorista pelos Estados Unidos.

As autoridades americanas acabaram decidindo não ajudar os conspiradores, e os planos de golpe pararam. Mas a disposição do governo Trump de se reunir várias vezes com oficiais decididos a derrubar um presidente no hemisfério pode ter efeito negativo na região politicamente.

A maioria dos líderes latino-americanos concorda que o presidente da Venezuela, Maduro, é um governante cada vez mais autoritário que efetivamente arruinou a economia de seu país, levando a extrema escassez de alimentos e remédios. O colapso desencadeou um êxodo de venezuelanos desesperados que estão transbordando fronteiras, sobrecarregando seus vizinhos.

Maduro há muito tempo justifica seu domínio sobre a Venezuela alegando que os imperialistas de Washington estão ativamente tentando depô-lo, e as negociações secretas poderiam fornecer munição para reprimir a posição quase unida da região contra ele, diz a reportagem.

Reuniões e pedido de apoio material

Em agosto de 2017, o presidente Trump declarou que os Estados Unidos tinham uma “opção militar” para a Venezuela.

“Foi o comandante em chefe dizendo isso agora”, disse o ex-comandante venezuelano da lista de sanções em entrevista, sob condição de anonimato por medo de represálias do governo venezuelano. “Eu não vou duvidar quando este foi o mensageiro.”

Em uma série de reuniões secretas no exterior, que começaram no ano passado e continuaram em 2018, os oficiais militares disseram ao governo americano que eles representavam algumas centenas de membros das forças armadas que estavam contra o autoritarismo de Maduro.

Os militares pediram aos Estados Unidos que fornecessem rádios criptografados, citando a necessidade de se comunicar com segurança, enquanto desenvolviam um plano para instalar um governo de transição para governar o país até que as eleições pudessem ser realizadas.

As autoridades americanas não forneceram apoio material, e os planos foram desvendados após uma repressão recente que levou à prisão de dezenas de conspiradores.

The New York Times

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